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Django Livre entra para o catálogo da Netflix neste mês

O filme Django Livre (2012) entra novamente para o catálogo da Netflix neste mês de setembro. Dirigido por Quentin Tarantino, é uma das obras mais populares do século 21. Independentemente de quantos prêmios levou, o filme é uma carta aberta do diretor sobre o que ele pensa do período pré-Guerra Civil (1861-1865) e como deveria ter sido finalizado, algo similar ao seu filme anterior, Bastardos Inglórios (2009). Contudo, a diferença aqui é na falta de paciência: enquanto os outros filmes do cineasta exigem uma certa calma, este explora o gore e o torture porn de maneira, digamos, ainda mais empolgante.

Com um ritmo de filme de vingança, a violência do diretor é, sim, chocante, ainda que divertida. Desde Kill Bill (2003) e À Prova de Morte (2007), obras da mesma temática, Tarantino se diverte passando por uma explosão de brutalidade e de referências cinematográficas. O diretor, genial do jeito que só ele consegue ser, provoca risos, temor e paixão por aqueles personagens. Especialmente com o herói que carrega o nome do título do filme, um negro escravizado que se dedica a matar quantos homens brancos conseguir, principalmente aqueles responsáveis pelo sequestro de sua esposa, Brunhilda (Kerry Washington).

Foto: Sony Pictures/Divulgação.

Com o apoio moral e empático do Dr. Schultz (Christoph Waltz), o herói, vivido por um Jaime Foxx inspiradíssimo, parte nesta jornada e encontra, apesar da etnia do diretor, algumas referências, não só cinematográficas, mas também da cultura negra. Cito, como exemplo, a música, criadora de uma linguagem que passeia pelo soul e hip hop, mesmo quando há personagens brancos na tela. Inclusive, é importante que eles estejam presentes, pois o diretor mostra que eles não estão no domínio daquela situação, mas sim o herói, que tem tudo sob controle.

Mais que isso: o diretor ainda cria uma cartela de homenagens brilhantes ao cinema. Django (Jamie Foxx), libertado de seu passado como escravizado, também se encontra livre para conhecer o que há de melhor no mundo. Ele aprende a ler com a ajuda de Schultz, mas também conhece, lado a lado do espectador, a linguagem cinematográfica. Um exemplo claro e belíssimo desta abordagem fica nítido quando o doutor conta uma história enquanto movimenta as suas mãos diante de uma pedra, criando alusão às pinturas rupestres, símbolos do início da sétima arte. 

Foto: Sony Pictures/Divulgação.

Além disso, o diretor também se diverte ao criar uma mistura gostosíssima e elegante dos modelos de faroeste, passeando pelo western contemplativo, com música do gênero, enquanto eles simplesmente cavalgam pelas montanhas, ou com o western spaghetti, que tem aqueles clássicos zooms nos rostos dos atores e uma dose ainda mais elevada de humor. 

Finalizando, o diretor ainda inclui uma passagem de bastão. Um dia, o gênero, como toda arte, foi movida única e exclusivamente por brancos. Mesmo pertencendo ao primeiro grupo, Tarantino reconhece que faltou oportunidade aos negros e que Django pode ser um Hércules que vai salvar todos de uma mitologia datada. O maior exemplo disso, acontece quando Franco Nero, o Django italiano dos anos 1960, pergunta ao Django desta geração como se soletra o seu nome. É um reconhecimento poderoso que divide o gênero entre o que aconteceu antes e depois.

Confira o trailer:

Ficha técnica

Django Livre
Ano: 2012
País de origem: Estados Unidos
Gênero: Ação/Aventura/Drama/Faroeste
Formato: Longa-metragem
Duração: 165 min
Classificação: 16 anos
Direção e Roteiro: Quentin Tarantino
Produção: Stacey Sher, Reginald Hudlin e Pilar Savone
Elenco: Jamie Foxx, Christoph Waltz, Leonardo DiCaprio, Kerry Washington, Samuel L. Jackson, Walton Goggins, Dennis Christopher, James Remar, Michael Parks e Don Johnson
Disponível: Netflix

Foto de capa: Divulgação.

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