O livro “Iorubahia – Escritos raros sobre a cultura iorubá e as relações entre Brasil e golfo do Benim” (2026), da Editora Letra da Cidade/Fundação Pierre Verger, reúne 12 textos do francês Pierre Fatumbi Verger (1902-1996), produzidos entre o fim dos anos 1950 e o início dos anos 1980, e boa parte está inédita em português. O livro nasceu do processamento do acervo da editora soteropolitana Corrupio, adquirido em 2003 pelo Instituto Çarê, organização cultural sem fins lucrativos que se dedica a preservar e a fomentar manifestações culturais brasileiras de relevo. Com organização de Angela Lühning, tem projeto gráfico de Oga Mendonça e posfácio de Tiganá Santana.
A obra “Iorubahia” é uma realização do Instituto Çarê em parceria com a Fundação Pierre Verger. Resultado de pesquisas realizadas entre a África Ocidental, a Bahia e outros territórios da diáspora africana, os ensaios abordam temas que acompanharam Verger ao longo de décadas, como as relações históricas entre o Golfo do Benim e o Brasil, a religião dos orixás, o transe, as plantas litúrgicas, o sistema de divinação Ifá e as tradições orais da cultura iorubá.
No período em que escreveu esses textos, Verger viveu entre Salvador (BA) e a Nigéria, pesquisou arquivos coloniais europeus e brasileiros, tornou-se doutor em estudos africanos pela Escola Prática de Altos Estudos, em Paris (França), foi pesquisador associado da Universidade de Ibadan e professor visitante da Universidade de Ilê-Ifé. Também percorreu cidades e vilas do território iorubá para acompanhar rituais e registrar relatos orais de babalaôs.
“Os textos reunidos em Iorubahia representam faces relevantes da trajetória multitemática e multiespacial do pesquisador Pierre Fatumbi Verger, que ele manteve em processo de construção constante, além da carreira do fotógrafo já consagrado”. É o que declara afirma a organizadora da obra, Ângela Lühning.
A coletânea está organizada em três eixos temáticos. O primeiro – Aspectos históricos das relações transatlânticas dialoga com a pesquisa que deu origem à tese de doutorado de Verger sobre o tráfico de escravizados entre o golfo do Benim e a Bahia. O segundo – Religião iorubá: fundamentos e diáspora, aborda o papel da religião dos orixás na Nigéria e no Brasil e o fenômeno do transe religioso. Já o terceiro eixo – Cultura, conhecimento e oralidade iorubá reúne reflexões sobre conhecimentos transmitidos oralmente, plantas litúrgicas e o sistema de divinação Ifá, temas que o pesquisador aprofundaria posteriormente em sua outra obra “Ewé: O uso das plantas na sociedade iorubá” (1995).
No posfácio, o pesquisador, curador e multiartista Tiganá Santana destaca a contribuição de Verger para os estudos africanos e afro-brasileiros e observa que sua obra rompe hierarquias entre o conhecimento produzido na África e na diáspora, propondo uma compreensão mais ampla das conexões culturais entre os dois lados do Atlântico. “Verger convoca que se esteja, seriamente, lá (em algum locus existencial do Continente Africano) e que se redimensione, por conseguinte, o que é nascer/viver cá”, escreve. “Em última análise, que se repense o ‘lá’ e o ‘cá’. Nada é simples em toda essa história; muito menos deve ser a nossa inserção nela, a nossa recepção dela.”.
Saiba mais!
Inaugurada em 1979 por um grupo de mulheres liderado pela fotógrafa Arlete Soares, a Editora Corrupio foi criada para editar a obra de Pierre Verger. Ao longo de quatro décadas, construiu um catálogo dedicado à presença negra na formação da cultura brasileira e às relações históricas entre o Brasil e a África. A aquisição desse acervo pelo Instituto Çarê possibilitou a retomada de manuscritos de Verger, e deu origem a obra “Iorubahia – Escritos raros sobre a cultura iorubá e as relações entre Brasil e golfo do Benim” (2026).
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Ficha técnica
“Iorubahia – Escritos raros sobre a cultura iorubá e as relações entre Brasil e golfo do Benim”
Autor: Pierre Fatumbi Verger
Organizadora: Angela Lühning
Ano de publicação: 2026
Editora: Letra da Cidade/Fundação Pierre Verger
ISBN: 978-65-998062-6-1
Páginas: 320
Preço: R$ 110,00
Foto de capa: Divulgação.
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