Atlântico

Nigerianos denunciam em protestos conduta da unidade policial SARS contra a população

A população nigeriana tem denunciado nas redes sociais e protestado nas ruas, pedindo o fim da The Special Anti-Robbery Squad (SARS) ou Esquadrão Especial Anti-Roubo, unidade pertencente à Força Policial da Nigéria, país tido hoje como primeira economia de África, conforme o Banco Mundial. No último domingo, 11, houve protesto contra a SARS em Lagos, uma das cidades mais populosas da Nigéria.

O país está situado na região Ocidental do Continente Africano e é considerado um dos mais populosos. A população soma um total de quase 210 milhões de habitantes (50,6% homens e 49,4% mulheres), conforme dados do site Country Meters, e é o sétimo país mais populoso do mundo. Sua capital é Abuja. E, Lagos, uma das cidades mais importantes.

Cidade de Lagos, um dos locais mais populosos da Nigéria. Foto: McBarth Obeya/Pexels.

Em entrevista ao site Negrê, o nigeriano Alausa Olawale relata que há décadas, tem havido o problema de incompetência da polícia, suborno, extorsão, prisões ilegais, execuções extrajudiciais, prisão e detenção de suspeitos sem acesso a seu povo ou advogados e muitas outras atividades ilegais da polícia. “Os cidadãos da Nigéria dificilmente se sentiram protegidos pela polícia, pelo contrário, tem sido a polícia que teme os cidadãos. Alguns policiais atiram em pessoas em plena luz do dia nas ruas e voltam para sua delegacia como se nada tivesse acontecido”, acrescenta.

A SARS é uma unidade policial que se organizou para enfrentar os incidentes de roubos na Nigéria na última década, de acordo com relatos de Alausa Olawale. Mas os abusos de poder têm sido recorrentes. Os policiais param e revistam as pessoas que estão na rua sem que seja permitido algum tipo de explicação. “Eles deixaram seu dever principal de assediar, extorquir e matar as pessoas que deveriam proteger. Eles prendem o jovem por ter cabelo horrível, tatuagens, usar um laptop de um iPhone, dirigir um carro caro e chique, por se vestir bem e, eles os rotulam de fraudadores”.

Protesto no Ayangbure Palace Ikorodu Oba Palace, Ikorodu Rd, Lagos, Nigéria. Foto: Tobi Oshinnaike/Unsplash.

Eles levam as pessoas para a delegacia e só os liberam mediante pagamento de fiança. “Os cidadãos vão para a esquadra, para que a polícia faça uma investigação adequada e faça com que a justiça prevaleça, ao invés, a polícia vai libertar os culpados sob fiança [eles cobram uma certa quantia da família do culpado ou dos próprios culpados] sem servir à justiça. As pessoas suportaram tal ato por muito tempo”, conta o nigeriano.

Os valores de fiança estão variando entre 100.000 ou 300.000 Nairas nigeriana, chegando até a 600.000. Na moeda brasileira, esses valores são aproximadamente R$ 1.477,62, R$ 4.432,85 e R$ 8.865,70. “Eles fazem isso, em uma tentativa de ver que as pessoas pagam uma quantia enorme para se resgatar, para recuperar sua liberdade. Há décadas as pessoas vivem com medo, pois, a polícia mata e brutaliza os cidadãos por conhecerem seu direito”, afirma Olawale.

No Twitter, movimentações têm ocorrido nas últimas semanas. As hashtags #EndPoliceBrutalityinNigeria, #EndSars, #EndsSARS, #EndSarsProtests, #EndSarsNow e #EndSarsBrazil tem sido levantadas na rede social.

Observe que houve protesto também nos Estados Unidos pelo fim da SARS:

A juventude tem exigido o fim da SARS e a população não quer recuar já que o governo tem agido de surdo aos gritos e demandas do povo nigeriano, segundo Olawale. “Durante o protesto, a polícia matou não menos de 8 pessoas com disparos de balas e gás lacrimogêneo contra os manifestantes. Tem sido pacífico do lado dos manifestantes, mas sangrento do lado da polícia. Enquanto a polícia continua resistindo ao protesto, as pessoas continuam agitando mais”.

Durante a manifestação nas ruas, a polícia matou cerca de oito pessoas com disparos de balas e gás lacrimogêneo contra os manifestantes. “Tem sido pacífico do lado dos manifestantes, mas sangrento do lado da polícia. Enquanto a polícia continua resistindo ao protesto, as pessoas continuam agitando mais”.

Questionado pela reportagem se a polícia nigeriana é racista com as pessoas, Olawale afirma que toda a população nigeriana é negra. “Então, a polícia e a unidade policial SARS, não é racista, mas, anticidadã”, diz.

Medida

Em diretiva presidencial, conforme postagem em conta da Presidência Nigeriana no Twitter, o Esquadrão Anti-Roubo Especial (SARS) da Força Policial da Nigéria foi dissolvido com efeito imediato. “O Inspetor-Geral da Polícia comunicará novos desenvolvimentos a esse respeito”.

“Todos os oficiais e homens do agora extinto Esquadrão Anti-Roubo Especial (SARS) serão realocados com efeito imediato. Um novo arranjo de policiamento para resolver lacunas de policiamento previstas que a dissolução do SARS causará está sendo trabalhado e será anunciado pela Polícia Nigeriana”, finaliza comunicado em post.

Foto de capa: Tobi Oshinnaike/Unsplash.

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