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O machismo como barreira para amar as mulheres

Esses dias, eu tenho refletido sobre como o pensamento machista se apresenta enquanto barreira para amar as mulheres em sua potência de existir no mundo. Nós homens somos socializados para enxergamos as mulheres como as que cuidam, servem, se submetem, as que são delicadas, dedicadas à família e ao lar. Então tudo que foge deste lugar; nós, homens, teremos dificuldade em enxergar e consequentemente admirar, isso quando não conseguimos nem enxergar. Pois muitas vezes, o lugar de servir e se submeter são postos como “não faz mais que a obrigação”, mesmo que publicamente o discurso seja de desejo e admiração a essas mulheres.

Quando as mulheres acabam apresentando características nos quais fogem dessa (do que se espera do feminino), elas serão lidas como uma mulher com características masculinas, e, por isso, acabam se apresentando enquanto ameaça ao masculino. Negar essa ameaça, não resolve o problema, a grande questão é pensar o que fazer com esse sentimento e questionar as bases das quais eles surgem.

Porque, olha só; o Redpill ela vai expor nitidamente que, para ele, não dá! Que a mulher precisa se apresentar enquanto este lugar submisso para que seja suportável para ele lidar com essa relação, para que a lógica viril, provedora e dominadora não seja ameaçada. Para que a sua pequenez diante do mundo seja mantida, sem questionamentos e reflexões, e mais: que sejam reforçadas e vistas como algo de valor.

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Mas e os homens que, de alguma medida, no espaço público, compreendem a lógica machista e o sistema patriarcal? Que se colocam enquanto aliados na luta das mulheres? Que se apresentam enquanto homens em desconstrução? Como é que a gente lida quando nos sentimos ameaçados por mulheres incríveis, que são extremamente inteligentes, desenroladas, autônomas, sonhadoras, correria, sagaz e desfrutam da sua autonomia e liberdade?

Será que no âmbito privado e doméstico nós estamos dando conta de não competir com as mulheres a nossa volta, de se colocar sempre como mais capacitado, de tentar rebaixar ou diminuir as conquistas das mulheres para que possamos caber no sentimento de superioridade? Aquele sentimento de superioridade que você não fala pra ninguém; o mesmo que você tem em relação ao futebol feminino, ao de mulheres no Rap, na gestão, em cargos de comando e coordenação, bem como no trabalho em geral. Aquele sentimento que você sabe que se verbalizar na frente de mulheres não vai pegar legal, então acaba falando em roda de amigos ou no grupo em que só tenha homens.

Esses são sentimentos que precisamos olhar, que será necessário desejo em construir um outro olhar para o feminino, para que possamos alcançar a sua potencialidade e humanidade. Fora isso, continuaremos produzindo um amor limitado, pequeno e covarde, e quando qualquer relação com mulheres afeta a nossa “bolha masculinista” a gente vai querer lidar de uma forma a fazer com que elas caibam naquilo que nos deixa confortáveis como homens.

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E aqui, eu nem estou falando de produzir uma violência de gênero pautada no controle, de proferir palavras violentas, mas sim de despontecializar aquela mulher, sabe? Fazer ela se questionar da sua potência e capacidade, de sentir que não está fazendo nada direito, que não está sendo apoiada, que deve, de fato, se diminuir pra caber, de se desculpar o tempo todo, de se sentir deslocada, faladeira ou “muito pra frente”. Sendo que, muitas vezes, somos nós que estamos atrás, sabe? Eu sempre falo que o amor deve potencializar as pessoas envolvidas, trazer confiança e reafirmas as capacidades!

Foto de capa: Imagem gerada por Inteligência Artificial (IA) pelo Gemini.

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