Perfil Preto

Conheça W.E.B. Du Bois, um ativista, autor e intelectual negro

William Edward Burghardt Du Bois morreu em 27 de agosto de 1963, aos 95 anos. Ele é lembrado ainda hoje como um dos principais intelectuais nas produções antirracistas e no movimento pela igualdade racial nos Estados Unidos.

Du Bois foi fundador do Movimento Niagara e da Associação Nacional para o Progresso de Pessoas de Cor (National Association for the Advancement of Colored People; NAACP, na sigla em inglês), além de autor do livro As Almas do Povo Negro. Também foi referência da imprensa negra antirracista com a revista The Crisis, que postava regularmente ideais de conscientização para pessoas negras e mensagens à população branca.

Educação e anos na universidade

Du Bois frequentou a Fisk University, uma universidade historicamente negra no Tennessee, após seus estudos serem financiados por doações da congregação da igreja que frequentava. Na época, as leis Jim Crow estavam em vigência nos estados sulistas dos Estados Unidos.

Com a reafirmação de uma suposta hierarquia racial e a reincidência de linchamentos e enforcamentos, o período dos estudos de Du Bois foi marcado pelo racismo vivenciado e testemunhado, e seus artigos universitários tiveram como objeto essas experiências.

Du Bois também ingressou em Harvard, onde cursou Sociologia e História. Em 1895, iniciou Doutorado pela instituição, se tornando o primeiro negro na história a fazê-lo. No Doutorado, iniciou pequenas reuniões com colegas universitários e intelectuais afro-americanos para chegar a soluções para a população negra, e dessas delineou-se, em 1905, o Movimento Niagara.

Movimento Niagara e NAACP

As reuniões do Movimento Niagara aconteciam na cidade canadense de Niagara Falls, uma vez que a sociedade estadunidense não via com bons olhos uma reunião composta de pessoas negras. Nenhum hotel americano aceitou receber tantos homens negros.

Mesmo com a oposição violenta sofrida, o Movimento se reuniu no ano seguinte, 1906, em Harpers Ferry, no estado da Virgínia. Eles pediam por liberdade de expressão e crítica, direito ao voto, respeito ao trabalhador negro, e outras soluções para a comunidade preta.

A NAACP surgiu anos depois, em 1909, composta não só por intelectuais negros, mas também brancos. Do seu posto de diretor de pesquisa e publicidade, Du Bois ficou responsável pela revista The Crisis, que fez o papel de uma imprensa preta de conscientização política e do reerguimento moral da população negra. A revista desempenhou papel importante nos protestos anti-linchamentos, e Du Bois foi seu representante.

Posição Política e Legado

W.E.B. Du Bois foi socialista e também uma das vozes do pan-africanismo e dos ideais de libertação de África do colonialismo. No discurso feito em 1960 no Madison Wisconsin Memorial Union, o intelectual apontou para a abordagem da causa de pessoas negras e a situação do negro americano, não somente vítima do racismo, mas também vítima do capitalismo que lhe negava educação e lhe apresentava o impossível sonho da meritocracia.

No livro As Almas do Povo Negro, Du Bois apresenta o conceito da dupla consciência do negro americano: “Duas almas, dois pensamentos, dois embates irreconciliáveis, dois ideais conflitantes, num corpo negro, impedido, apenas por um obstinado esforço, de bipartir-se”. A teoria da dupla consciência lança luz sob a questão do negro em diáspora e da sua existência como filho de um lugar distante.

Na última quarta, 26, o jogador da NBA Isaiah Thomas citou a teoria da dupla consciência em seu discurso na NBA TV, em protesto pelas vidas negras após a tentativa de assassinato de Jacob Blake e depois de tantos recentes casos de atentado às vidas negras. O legado de W.E.B. Du Bois vive como exemplo da luta antirracista que se estende por séculos, e não descansa enquanto o povo negro não for, verdadeiramente, livre.

Foto de capa: Reprodução.

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