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Estudante de medicina recifense faz vaquinha para intercâmbio no México

A estudante de medicina da Universidade Federal do Vale do São Francisco (UNIVASF), Rayssa Feitosa, 26, foi selecionada para fazer um estágio de quatro semanas no México em setembro. Para alcançar esse sonho, ela está fazendo uma campanha de arrecadação nas suas redes sociais. Quem colabora pode participar de um sorteio concorrendo a um prêmio de uma transferência PIX no valor de R$ 400, que acontece no próximo dia 30 de julho, às 16 horas. 

Quando fui fazer cursinho, tinha vontade de cursar medicina, mas considerava um sonho muito distante. Era algo praticamente inalcançável, na verdade, primeiro porque não tinha referência nenhuma de pessoa que havia estudado em universidade pública na minha família, nem por parte de pai nem por parte de mãe. Em segundo lugar, porque a medicina é um curso totalmente elitista e eletrizado, e só pessoas brancas, em sua maioria, engraçam nele“. É o que escreveu Rayssa quando contou sua história ao The Intercept.

Ela é filha de enfermeira e neta de secretária do lar, ambas mães solo. Para conseguir entrar no curso, passou quatros anos como bolsista em um cursinho pré-vestibular. O estágio no México permitirá que a futura médica adquira experiência nos setores de pediatria ou cirurgia. 

Negros no ensino superior 

Mesmo com o auxílio das cotas, a população negra ainda tem dificuldade de acesso à educação. Para reduzir isso, em 1983 o então deputado Abdias do Nascimento (1914-2011) propôs um projeto de lei que concedia bolsas de estudos para estudantes negros em qualquer etapa educacional, mas na época o projeto não recebeu apoio. Contudo, a proposta deveria ser revisado pelo governo atual.

Os indicadores raciais, a participação da população negra em cursos de alta concorrência, como medicina, diminuiu em comparação com a população geral, de acordo com o último estudo de 2020, divulgado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Na turma de Rayssa, haviam cinco pessoas negras, para um total de 40 estudantes. Sendo assim, é necessário apoiar estudantes negros nesses cursos elitizados.

Sobre Rayssa Feitosa

Nascida em Recife (PE), Rayssa Feitosa tem 26 anos e, aos 20 anos, deixou a capital para viver no sertão pernambucano e realizar seu sonho que ser médica. Hoje, ela mora em Petrolina (PE) e é estudante do 11° semestre do curso de Medicina, pela Universidade Federal do Vale do São Francisco (UNIVASF).

Recentemente, ela foi aprovada em um processo seletivo nacional que convoca estudantes do Brasil inteiro para realizar estágios internacionais de prática e pesquisa na área médica. Então, foi selecionada para ir ao México em setembro de 2023. O programa de intercâmbio assegura a moradia, o estágio e 1 (uma) refeição diária, ela precisa arcar com demais custos da viagem: passagens aéreas, seguro saúde e viagem até Brasília para a emissão do visto mexicano. 

Instagram: @raayssafeitosa
Mais informações: aqui!

A estudante de medicina Rayssa Feitosa, 26. Foto: Reprodução/Instagram.

Foto de capa: Reprodução/Instagram.

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