Ancestral Saberes

Feliz Kwanzaa: a celebração negra que ocorre após o Natal e vai até o Ano Novo

O fim de ano para maioria das pessoas é a época de celebrar o Natal (comemoração cristã) e o Ano Novo. Só que em alguns lugares do mundo – Brasil, Estados Unidos (principalmente), Canadá, Inglaterra, Caribe e Colômbia –, logo após o Natal e até o Ano Novo, comemora-se o Feliz Kwanzaa. Uma festa comum entre os afro-americanos e negros em diáspora. Com duração de sete dias, inicia-se no dia 26 de dezembro e vai até o dia 1º de janeiro.

Foto: Rodnae Produções/Pexels.

O nome “Kwanzaa” é uma derivação da expressão “matunda ya kwanza”, que em swahili (suaíli), língua mais falada entre as centenas de línguas que existem em países da África – Quênia, Tanzânia e Uganda –, significa “primeiros frutos”. A inspiração para a data surgiu a partir de festas realizadas por diversos povos africanos, como os Zulu (África do Sul, Lesoto, Essuatíni, Zimbábue e Moçambique) e os Ashanti (Gana).

Foto: Askar Abayev/Pexels.

A instituição desse período de cerimônia negra é atribuída ao professor afro-americano de estudos africanos Maulana Karenga, 79, da Universidade de Califórnia (EUA). E aconteceu numa época conhecida como “o movimento pelos direitos civis americanos”, entre as décadas de 1950 e 1960, nos Estados Unidos

Durante o ano de 1965, os Estados Unidos viviam uma turbulência se tratando das relações entre brancos e pretos com as leis de segregação racial. Ainda no mesmo ano, aconteceu o conflito chamado de Tumultos de Watts. Um jovem negro de 21 anos, chamado Marquette Frye, foi detido de forma violenta por policiais brancos no distrito de Watts, em Los Angeles. Ele estava sendo acusado de dirigir embriagado.

A abordagem causou revolta na comunidade negra, fazendo com que o conflito durasse seis dias. Na época, o resultado foi 34 mortos, mais de 1.000 feridos, 3.438 prisões e mais de 40 milhões de dólares em danos materiais.

Uma curiosidade sobre a celebração é que a primeira vez em que ela aconteceu foi entre os anos de 1966 e 1967, e um ano depois, Martin Luther King Jr. (1929-1968) seria assassinado. A celebração tem chegado no Brasil ainda de forma sutil e já acontece em alguns estados do país, como Bahia, Ceará, São Paulo, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. 

Momento de celebração do Kwanzaa. Foto: Askar Abayev/Pexels.

Essência da celebração

Durante os sete dias de comemoração em comunidade, sete princípiosNguzo Saba em swahili – são evocados, discutidos e refletidos entre os que estão presentes na celebração negra. Conheça eles:

Umoja

Significa união. É estar em união com sua família, comunidade e raça. Nas velas, é representado pela cor vermelha.

Kujichagulia

Significa autodeterminação. É pensar em ter responsabilidade com o próprio futuro. Nas velas, é representado pela cor vermelha.

Ujima

Representa o trabalho coletivo na comunidade. Construir juntos a comunidade e resolver os problemas de forma coletiva. Nas velas, é representado pela cor vermelha.

Ujamaa

Representa a economia cooperativa. É celebrado os ganhos da comunidade vêm através de suas próprias atividades. Nas velas, é representado pela cor preta.

Nia

Faz alusão ao propósito. É a ideia de expandir a cultura africana. Nas velas, é representado pela cor verde.

Kuumba

Representa a criatividade. Princípio para tornar a comunidade mais bonita e bem-sucedida. Nas velas, é representado pela cor verde.

Imani

Representa a . Significa honrar os ancestrais e as tradições de líderes africanos. Nas velas, é representado pela cor verde.

As sete velas representativas dos sete princípios da Festa do Kwanzaa. Foto: Askar Abayev/Pexels.

A cada dia, uma vela de cor diferente é acesa num altar onde são colocadas frutas frescas, uma espiga de milho por cada criança que estiver na casa. Depois de acender a vela, todos os presentes bebem de uma taça comum em reverência aos ancestrais e saúdam com a expressão: “Harambee”, que pode significar “reúnam todas as coisas” ou “vamos fazer juntos”.

Foto: Rodnae Produções/Pexels.

O grande momento é no último dia, 1º de janeiro, quando há muita comida, muita alegria e no qual cada criança deve ganhar três presentes simples: um livro, um objeto simbólico e um brinquedo.

Momento de confraternização da festa do Kwanzaa. Foto: Askar Abayev/Pexels.

Conforme normalmente é feito em celebrações africanas para comemorar as primeiras colheitas, a festa foi organizada pelo professor Maulana Karenga em cinco atividades essenciais. São elas:

Reunião

Entre família, amigos e comunidade negra como um todo.

Reverência

Ao criador e à criação, destacando ação de graças e reafirmação dos compromissos de respeitar o ambiente e “curar” o mundo.

Comemoração

Pelo passado em honra aos antepassados, pelo aprendizado de suas lições que foram deixadas e por seguir os exemplos das realizações da história.

Renovação

Ter compromissos com os ideais culturais mais importantes da comunidade, a exemplo da verdade, justiça, respeito às pessoas e à natureza, o cuidado e zelo com os mais vulneráveis além do respeito aos mais velhos.

Celebração

Pelo “bem da vida” no qual pode se enxergar um conjunto de luta, realização, família, comunidade e cultura.

Feliz Kwanzaa! Foto: Askar Abayev/Pexels.

*Com colaboração de Larissa Carvalho.

Foto de capa: Rodnae Produções/Pexels.

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