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Lupin, o anti-herói que ganhou espaço na Netflix e você precisa conhecer

A série francesa Lupin (2021) estreou no Netflix no último dia 8 de janeiro, ocupando as maiores posições no serviço e tem sido um verdadeiro sucesso de audiência na plataforma. Em Lupin, Omar Sy, um dos principais rostos do cinema francês, interpreta o enigmático Assane Diop, do tipo que não é nem vilão, nem mocinho, que você ama odiar ou odeia amar. Ele é inspirado no famoso ladrão e mestre do disfarce, Arsène Lupin, de “O Ladrão de Casaca”.

O protagonista carrega um trauma, que é um dos principais motivadores da narrativa. Quando criança, o garoto viu o pai ser morto após ser preso injustamente por um crime que não cometeu.

Ainda vivo, seu pai deu um presente de aniversário, o livro “O Ladrão de Casaca” que narra a história de um ladrão extremamente articulado, inteligente e versátil. Após 25 anos, Diop está disposto a vingar o pai com planos dignos de Arsène Lupin, o protagonista do livro em que foi presenteado.

Lupin é uma crítica racial?

Lupin nos trás uma inovação necessária na própria construção do elenco, um homem negro como protagonista em uma série que não aborda raça ou racismo como ponto norteador, sobretudo, no eixo de suspense e mistério, no qual isso não é recorrente.

Apesar de não ser o elemento central, a série aborda questões raciais com cotidianidade que acontecem, com críticas majoritariamente subliminares mas muito assertivas.

Foto: Reprodução/Netflix.

Rompendo com o modelo hollywoodiano de audiovisual

Outro elemento importante e positivo de Lupin é que a produção não demonstra massacres, mortes explícitas … enfim, possui uma execução sensível, na qual não busca ibope em cenas chocantes e sanguinárias. Talvez esse seja o elemento mais visível que distancia a produção francesa das populares produções hollywoodianas do mesmo eixo.

É quase revolucionário no audiovisual que a série de maior sucesso da Netflix no momento seja uma versão contemporânea das histórias de um clássico anti-herói francês criado no início do século passado. E com deboches e críticas à burguesia francesa e um protagonista negro de tênis da Nike.

Foto: Reprodução/Netflix.

Talvez estamos nos aproximando da saturação das produções “mais do mesmo” repetitivas e similares que o cinema hollywoodiano e a indústria cultural proporcionam. Sem dúvidas, o fechamento dos cinemas durante a pandemia demandaram maior consumo dos serviços de streamings, o que em certa medida deu espaço para que produções de outras localidades e enfoques tivessem maior proporção.

Aspectos à se considerar

Todavia, Lupin também tem seus pontos negativos, que podem ser resumidos em: irrealidades e lacunas narrativas. Em alguns momentos, a série mostra cenas e feitos irreais, o que em alguma medida “murcha” a empolgação e empatia desenvolvida com os personagens, principalmente com o protagonista.

Além disso, alguns detalhes na narrativas ficam com vácuos e pontas soltas, o que atrapalha o entendimento total da trama. Porém, acredito que na questionamentos oriundos dessas lacunas devem ser resolvidos na próxima temporada (que já está confirmada!)

Confira o trailer:

Ficha técnica

Lupin
Ano: 2021
País de origem: França
Duração: 1 temporada (5 episódios)
Classificação: 16 anos
Gênero: Suspense, Drama, Crime e Mistério
Direção: George Kay
Elenco: Omar Sy, Clotilde Hesme, Hervé Pierre, Nicole Garcia, Fargass Assandé e Etan Simon
Disponível: Netflix

Foto de capa: Divulgação.

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Ouça o episódio #01 – Conheça o Site Negrê:

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