O 62º Prêmio Jabuti, o mais tradicional da literatura brasileira, tem como finalistas oito autores sudestinos, um ilustrador sulista e uma tradutora negres* na edição deste ano. Entre eles, estão Djamila Ribeiro, Luana Génot, Adilson José Moreira e Willian Santiago.
O resultado da premiação será divulgado ao vivo, no próximo dia 26 de novembro, às 19h, no Facebook e no Youtube da Câmara Brasileira do Livro (CBL), tendo a jornalista Maju Coutinho como mestre de cerimônia. Os prêmios para os vencedores de cada categoria incluem o valor de R$ 5 mil e uma estatueta do Jabuti, além do valor de R$ 100 mil para o vencedor da categoria Livro do Ano.
Dos 60 jurados, especialistas nas áreas de Literatura, Ensaios, Livro e Inovação do 62º Prêmio Jabuti, apenas 19 são negres. Dentre eles, as escritoras Cristiane Sobral, Cidinha da Silva, Kiusam de Oliveira, o ilustrador Marcelo D’Salete, a biomédica e pesquisadora Jaqueline Goes de Jesus, o repórter Manoel Soares, entre outros.
Conheça os finalistas
Minas Gerais
O livro Pensando como um negro: ensaio de hermenêutica jurídica (2019), de Adilson José Moreira, autor mineiro e professor da Faculdade de Direito da Universidade Presbiteriana Mackenzie, em São Paulo, concorre na categoria Ciências Sociais. A obra aborda a relação entre a questão racial e a justiça. Além disso, Moreira também é autor de Racismo Recreativo (2019), que compõe a coleção Feminismos Plurais, coordenada pela filósofa paulista Djamila Ribeiro. Nele, o autor apresenta que o racismo recreativo é uma forma de dominação e de afirmação de superioridade das pessoas brancas que inferiorizam outros grupos raciais, muitas vezes, chamados de “minorias”, principalmente por meio de “humor” e piadas racistas.

São Paulo
O livro Gosto de amora (2019), do escritor paulista e professor de Sociologia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Mário Medeiros, concorre na categoria Conto. Com 15 contos narrados por homens negros periféricos, as histórias acompanham os personagens da infância à vida adulta e falam sobre vida, trajetórias, desafios, sobrevivência, resistência, entre outros assuntos.

A obra Notas sobre a fome (2019), de Helena Silvestre, escritora paulista, educadora popular, militante do movimento de moradia e mobilizadora de coletivos sobre juventude, gênero e racismo, concorre na categoria Crônica. De forma autobiográfica, Silvestre conta histórias da sua vida desde à sua infância em uma favela no ABC Paulista e o trauma da fome para além da alimentação, apresentando também outros tipos de fome, como a de cuidado, de representatividade, entre outras.

O livro Roseira, medalha, engenho e outras histórias (2019), do ilustrador e quadrinista paulista, Jefferson Costa, concorre na categoria Histórias em Quadrinhos. A obra narra a história de duas famílias no sertão nordestino durante o movimento retirante, em 1970.

O Pequeno manual antirracista (2019), da filósofa, escritora e feminista negra, a paulista Djamila Ribeiro, concorre na categoria Ciências Humanas. O livro traz onze ações importantes para que as pessoas compreendam o racismo e possam lutar contra ele no dia a dia.

A obra Rastros de resistência: histórias de luta e liberdade do povo negro (2019), do escritor, pesquisador e roteirista paulista, Ale Santos, concorre na categoria Ciências Humanas. A fim de apresentar fatos ocultados do colonialismo, o livro conta histórias de rainhas, reis, guerreiras e guerreiros negros que lutaram e resistiram contra o colonialismo e à escravização. Além disso, a produção foi inspirada nas threads (sequência de tweets) que Santos publicava sobre fatos da escravização em seu perfil no Twitter.

Rio de Janeiro
O livro Da Minha Janela (2019), do ator, contador de histórias e escritor fluminense, Otávio Júnior, concorre na categoria Infantil. Na obra, o narrador é morador de uma favela e fala sobre o que vê da sua janela, como a rua, as pessoas, o pôr do sol, etc, fazendo um convite às crianças para que olhem também por suas janelas e percebam coisas incríveis.

A obra Sim à Igualdade Racial: raça e mercado de trabalho (2019), da fundadora e diretora executiva do Instituto Identidades do Brasil (ID_BR) e mestra em Relações Étnico-Raciais (CEFET/RJ), a fluminense Luana Génot, concorre na categoria Ciências Sociais. Resultado de sua dissertação de Mestrado, o livro possui 16 depoimentos de pessoas negras e brancas, escritos em primeira pessoa, que falam sobre jornadas pessoais e profissionais. O objetivo é causar reflexões nos leitores sobre o conceito “raça” e seus impactos na vida das pessoas e no mercado de trabalho.

Paraná
O designer gráfico e ilustrador paranaense, Willian Santiago, concorre na categoria Ilustração pelas ilustrações do livro Cumarim, a pimenta do reino (2020), de Rosane Almeida. A obra conta a história de Cumarim, uma menina que se diverte com diferentes jogos culturais brasileiros, como trava-línguas, brincadeiras de rua, cantigas, entre outros.

A tradutora Jess Oliveira do livro Memórias da Plantação – Episódios de Racismo Cotidiano (2019), da autora Grada Kilomba, também está concorrendo à premiação na categoria Tradução. A obra, publicada pela primeira vez em outra língua em 2008, é uma compilação de episódios de racismo no cotidiano, escritos sob uma análise psicanalítica. Jess Oliveira é doutoranda em Literatura e Cultura pela Universidade Federal da Bahia (UFBA) e mestra em Estudos de Tradução pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Ela atua como tradutora autônoma de escritos afro-diaspóricos.

Saiba mais sobre o Prêmio Jabuti
Site: https://www.premiojabuti.com.br/
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*Linguagem inclusiva. O site Negrê opta por utilizar o “e” para neutralizar o gênero da palavra e incluir àqueles que não se identificam com feminino ou masculino.
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Sou um emaranhado de sonhos! Escrevo para me transformar e transformar o mundo! De amor e conexão pela escrita, escolhi o jornalismo como profissão. Hoje, sou Jornalista pela Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) com o objetivo de contribuir, cada vez mais, para que a Comunicação e o Jornalismo sejam antirracistas.