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Jovens negras lutam por educação quilombola no sertão de Pernambuco

Mirandiba, a aproximadamente 474 km de distância de Recife (PE), fica no sertão central de Pernambuco, entre Salgueiro e Serra Talhada. Neste município, onde 80% da população é de origem negra, composta por mais de 15 comunidades quilombolas, uma ação movida por jovens meninas negras garantiu o direito à uma educação mais voltada aos saberes sobre a territorialidade, ancestralidade e identidade da própria comunidade.

Há dois meses, a câmara de vereadores finalmente aprovou as Diretrizes Curriculares Municipais da Educação Escolar Quilombola, cumprindo com o que determinam as Diretrizes Curriculares Nacionais da Educação Escolar Quilombola na Educação Básica – instituída com a Resolução nº 08/2012, da Câmara de Educação Básica do Conselho Nacional de Educação. 

Foto: Edinho Moraes/TV Viva.

A conquista foi resultado da pressão destas jovens quilombolas, moradores das comunidades e dos profissionais da educação. O processo de construção desta conquista durou cerca de dois anos. O projeto foi desenvolvido pelo Centro de Cultura Luiz Freire e teve o apoio do Fundo Malala, instituição internacional sem fins lucrativos que subsidia a educação de meninas e trabalha para garantir que as beneficiadas recebam 12 anos de educação gratuita, segura e de qualidade. 

Bianca Maria, 19, foi uma das jovens que participou ativamente de todo o processo. Até então, ela não imaginava que a educação quilombola era um direito. “Só éramos lembrados no Dia da Consciência Negra, então graças ao projeto me senti muito confiante, pois precisamos de espaço nas escolas para mostrarmos nossas culturas e nossos aprendizados. Depois da aprovação (das Diretrizes), acho que isso mudará os nossos conhecimentos na comunidade e que nós, jovens, podemos agir de todas as formas pelas nossas conquistas”, reflete.

Bianca Maria. Foto: Edinho Moraes/TV Viva.

A Educação Escolar Quilombola deve ser ofertada pelos órgãos públicos responsáveis nos estabelecimentos de ensino localizados nos próprios territórios das comunidades reconhecidas como quilombolas, sejam elas rurais ou urbanas, bem como nos estabelecimentos fora dos territórios. Ao descumprir esse dever, o poder público negligencia centenas de jovens que se vêem distante de uma perspectiva de sucesso e à margem dos avanços sociais, educacionais e econômicos.

Foto de capa: Edinho Moraes/TV Viva.

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