Atlântico

Quem foi José Eduardo dos Santos, que governou Angola por quase 40 anos

O governo de Angola, país situado na região Central da África, comunicou a morte de seu ex-presidente, José Eduardo dos Santos aos seus 79 anos, no último dia 8 de julho. Ele é conhecido por sua longa permanência no posto de presidente da República e por colaborar com a Independência da Angola de Portugal. José Eduardo faleceu em Barcelona (Espanha), onde se encontrava desde 2019, após ter sido internado no final do mês de junho deste ano devido a um Acidente Vascular Cerebral (AVC).

E quem foi ele?

O ex-presidente foi o segundo a ocupar este posto no país, governou Angola por cerca de quatro décadas, partindo do ano de 1979, no qual sucedeu o falecido presidente Lúcio Lara (1929-2016), e, assim, permaneceu até sua surpreendente renúncia no ano de 2017. Também conhecido com Zédu; nasceu num subúrbio da cidade de Luanda, capital de Angola. E é filho de pai e mãe angolanos, de origem simples. 

José se encontrou em espaços políticos desde novo; aos 16 anos, enquanto ainda completava seus estudos, se uniu ao Movimento Popular da Libertação Angolana (MPLA) em sua fundação no ano de 1958. Partido que lutava para que Angola deixasse de ser uma colônia portuguesa e, finalmente, se tornasse um país independente. O MPLA é, até o presente momento, o partido que governa Angola desde sua independência em 1975.

O ex-presidente angolano José Eduardo dos Santos (1942-2022). Foto: Reprodução.

Zédu se refugiou no exílio após o início oficial da Guerra da Independência de Angola (1961-1974); que eclodiu em 1961 após ataque de um grupo de angolanos a Casa de Reclusão Militar de Lisboa e outras sedes portuguesas que se encontravam no território. Do exílio, o jovem José Eduardo fundou e liderou a Juventude do MPLA; braço jovem do partido político ao qual era filiado e, no ano seguinte, participou da frente armada do partido, conhecida como o Exército Popular da Libertação de Angola. Posteriormente, se tornou o primeiro nome que representava o MPLA no Congo, país onde se passou a se refugiar da presente guerra.

Pouco tempo depois de sua integração na categoria militar do partido, Zédu deixou o Congo para iniciar seus estudos na União Soviética, onde havia adquirido uma bolsa no Instituto de Petróleo e Gás de Baku (antiga URSS). Experiência que o formou Engenheiro petroquímico em 1969 durante sua estadia no país. Ele também se formou em Telecomunicação militar.

Sua liderança

José Eduardo ascendeu politicamente ao conquistar espaços ao longo dos anos na vida pública, devido ao seu precoce interesse em política. Foi considerado por muitos como o “Arquiteto da paz” por suas contribuições para acabar com a Guerra Civil angolana que assolou o país por 27 anos devido às divergências partidárias. O conflito teve um respiro no ano de 1992 com um acordo estabelecido por Zédu com a União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA); seu partido rival. O acordo garantia constitucionalmente a liberdade política e econômica em Angola.

No ano seguinte, no entanto, a guerra retomou após o partido de José Eduardo ter sido novamente eleito pelo país, decisão que não foi aceita pela UNITA. Foi apenas em 2002 que os conflitos armados, que deixaram mais de 500 mil mortos, cessaram, devido ao assassinato de Jonas Savimbi (1934-2002), que liderava o partido rival da MPLA.

A gestão de Zédu, que foi uma das mais longas do mundo posta na liderança de um país, colaborou com o desenvolvimento econômico de Angola. O então presidente estabeleceu uma política de livre-mercado, tornando o país um dos mais visados para investimento estrangeiro no Continente Africano.

Um mandato contraditório

Apesar de levar o título de arquiteto da paz, alguns também acusam Zédu de governar um país de forma ditatorial e corrupta. Sua família enriqueceu de forma descomunal ao longo dos 38 anos do seu mandato, em um cenário em que grande parte da população sobrevivia miseravelmente. Em 2014, estima-se que a herdeira do falecido presidente, Isabel dos Santos, estava em posse de uma fortuna de cerca de US$ 3,7 bilhões de dólares.

Zédu foi um presidente, que em meio às contradições e contribuições, se tornou um símbolo da história de libertação angolana.

Foto de capa: DR.

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