Eu sempre penso que a melhor música para se trabalhar da Lauryn Hill se chama Doo Wop (That Thing). E acho muito interessante como essa música é maravilhosa porque ela é uma das músicas mais divertidas que a Lauryn Hill inventou até hoje. E, apesar disso, ela também é uma das músicas que mais servem de alerta dentro da comunidade que a gente vive, dentro das coisas que a gente vive no nosso dia a dia.
Eu adoro ouvir essa música porque ela vai falar sobre as relações em sua intimidade e, como essas relações, elas podem estar baseadas em interesses que são muito ínfimos em relação ao que a gente pode sentir e que perpetualiza a maioria das relações a um nível mais maduro.
Então, quando eu ouço Doo Wop, eu fico maravilhado com a leveza que a Lauryn Hill leva um aviso de: “Preste atenção, você pode se meter numa furada, porque algumas pessoas estão atrás daquilo”. “Daquilo” pode ser traduzido do sentido sexual da coisa ao sentido financeiro da coisa, ao sentido energético da coisa.
Então, Doo Wop é um alerta que fala sobre as relações. E quando a gente vai avançando no The Miseducation of Lauryn Hill, a gente vai chegando na música I Used to Love Him (Eu costumava amá-lo), que vai tratar exatamente sobre um… um peso a ser dado à música Doo Wop. Porque quando a gente chega nesse lugar de I Used to Love Him, a gente vai olhando o quanto que a gente pode se distanciar daquilo que nós somos.
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E a primeira parte da música já traz um peso muito grande, que é a gente poder pensar a vida entre o oceano e a areia, né? Que é uma vida que se aproxima e se distancia; uma hora um cobre, outra hora um foge, e o outro tá ali estático, tá ali no movimento, parte se vai, parte volta, e essa transformação, essa troca que existe entre esses dois elementos que fazem tão bem, que é o mar e a terra.

Esse diálogo entre perdas, idas e vindas, ele vai se construindo de uma forma muito rica, porque a Lauryn vai trazendo uma conversa que vai falando sobre o querer mais daquilo dali e não poder ter, que é o não ter controle sobre o outro. Ao mesmo tempo, se sentir mal com aquilo dali e não poder fazer muita coisa.
E quantas vezes a gente cai nesse lugar de “estamos reféns dessa situação, logo não podemos fazer nada, não podemos reagir, não podemos pensar, não podemos divagar, não podemos nada porque estamos tão presos naquela situação”? Que o nosso trabalho vai mal, nossas relações interpessoais vão mal, nossos estudos vão mal e etc. Todo esse roubo de energia não é um reflexo de um relacionamento saudável.
Para isso, a gente vai caminhando por mais diversas dores e caminhando, e sofrendo, e sentindo, até que uma hora a gente consegue, novamente, pegar aquele cristal. Aquele cristal que forma o nosso coração, aquele cristal que alimenta a nossa alma.

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Ao chegar nesse lugar novamente, podemos sair desse lugar de uma areia estática e nos tornar uma pedra. Pedra que nos separa desse mar horrível. Pedra que pode dar espaço para a chuva. Pedra que pode dar espaço para diversas outras possibilidades.
Sim, às vezes nós precisaremos ser rígidos, não pelo o que fizeram conosco, mas sim pela proteção daquilo que nos é muito importante. Podemos nos exibir como uma pedra bruta que se tornou uma pedra rara. Mas não podemos deixar qualquer coisa danificar a pedra rara que nos tornamos.
Muito obrigado.
Foto de capa: Imagem gerada por Inteligência Artificial (IA) pelo Gemini.
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Psicólogo (CRP: 11/11607) e Palestrante. Um criolo cearense buscando ascensão social em massa para o povo preto. Graduado em Psicologia pela Universidade de Fortaleza (Unifor). Especialista em Psicologia Positiva pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS). É Fundador e CEO do projeto “Por Mais Simples que Seja”. Gosta de pensar sobre a vida e conversar com pessoas sobre perspectivas de ascensão e crescimento pessoal.




