África Sustentável Especiais

Especial: Alimentação e turismo ecológico em um Marrocos sustentável

O especial África Sustentável do Negrê continua com a nossa redação finalizando seu percurso pelo Norte da África. E é sobre um dos países árabes da África Setentrional, o Marrocos, situado na região do Magrebe. A localidade tem grandes extensões de deserto e região litorânea próxima do Oceano Atlântico e Mar Mediterrâneo – situado entre África, Ásia e Europa.

Sua Capital é Rabate. A região mais populosa é Casablanca. A cidade de Marraquexe é um grande centro econômico e conta com mesquitas, palácios e jardins. O então chefe de Estado é o rei Maomé VI, 57. Ele está no poder há 21 anos. Assumiu após a morte de Hassan II (1929-1999). As línguas oficiais de Marrocos são o árabe e o berbere.

Registros feito na região da cidade de Marraquexe, no Marrocos. Foto: Larissa Bezerra/Arquivo Pessoal.

Segue uma política de privatização das empresas públicas, bem como da liberalização de muitos setores. A economia do país é uma das melhores da África, graças ao tratado de comércio e exportação que o país fez com os Estados Unidos e com a União Europeia. Marrocos é o maior exportador mundial de fosfato e equipamentos petrolíferos. Tem terras áridas em quase todo o território, tem grandes reservas de petróleo no Deserto do Saara. Sua moeda é Dirham marroquino.

Dividido em 16 regiões e com uma área de 446.550 quilômetros quadrados, o também chamado Reino do Marrocos tem uma população estimada em 36,03 milhões, conforme dados recentes (2018) disponibilizados pelo Banco Mundial. Já o site Country Meters* estima a população marroquina em 36,916 milhões, com população feminina um pouco mais da metade (51%) e masculina um pouco menos da metade (49%). 

O Reino do Marrocos é dividido em 16 regiões. Foto: Larissa Bezerra/Arquivo Pessoal.

A religião predominante é o Islamismo e sua grande maioria segue o islã sunita. Além dos Islã, as três crenças mais praticadas são, cristianismo, judaísmo e Fé Baha’í.

Alimentação sustentável

Marrocos é um dos países africanos com mais restaurantes veganos, vegetarianos e com opções veg listados. Está apenas atrás da África do Sul na lista, ocupando o segundo lugar (114), conforme dados fornecidos pelo Happy Cow – aplicativo que fornece informações para viajantes veganos presente em mais de 180 países. A ferramenta online disponibiliza uma lista com fontes de comida saudável, vegetariana e vegana ao redor do mundo e próxima à localização do usuário. Na África, foram registrados 768 estabelecimentos com refeição vegana, vegetariana e opções veg nas refeições. 

Marrocos é o segundo país africano com mais restaurantes veganos, vegetarianos e com opções veg listados. Ilustração: Suellem Cosme.

A internacionalista e professora de inglês Giovanna Sidney, 26, viajou para lá durante três dias também em 2015. Ela é vegetariana há 12 anos e pôde manter sua dieta pelas opções sem carne que encontrava durante o percurso pelos restaurantes e ruas do país. Para ela, a comida é sempre uma parte importante da viagem, pois ela sempre quer experimentar o novo.

Giovanna Sidney, 26, vegetariana há 12 anos. Foto: Arquivo Pessoal.

“É importante destacar esse ponto, por ser uma característica forte das cidades que visitei [Tanger, Fez, Tetuan e Chefchaouen], onde haviam muitos ambulantes que constantemente negociavam os preços com os visitantes. Do meu ponto de vista, isso me permitiu ter um contato mais próximo com o comércio local e dos pequenos comerciantes, não apenas dos restaurantes e grandes comércios preparados para receber os turistas. Dessa forma, pude experimentar a comida local e movimentar a economia dos tradicionais comerciantes de rua”, relata a brasileira.

Esse número fornecido pelo aplicativo Happy Cow é reflexo da base alimentar do local. Legumes, grãos e verduras são bastante usados em todas as suas refeições e o Seksou, conhecido como cuscuz, é o alimento principal da culinária marroquina.

Ainda sobre a alimentação dos nativos do local, comer com as mãos é um hábito muito comum. É sempre indicado que se coma sempre com a mão direita, pois é considerado grosseiro manipular os alimentos com a mão esquerda.

Um exemplo de chá no Marrocos. Foto: Larissa Bezerra/Arquivo Pessoal.

A população do Marrocos é apaixonada por chá. Estima-se que o país seja o maior importador de chá chinês do planeta. O mais popular é o chá-verde com menta, em que as folhas são quebradas e ficam em repouso por alguns minutos. Os marroquinos têm o hábito de ingerir a bebida antes e depois das refeições; e ele é servido com grandes quantidades de açúcar.

A professora de inglês e coordenadora de marketing Analia Mendonça, 24, disse em entrevista ao Negrê, que durante sua passagem pelo país em 2018, a todo momento lhe ofereciam chá. “Tomam muito! (chá) Eles sempre andam com garrafinhas como se fossem de café, só que tem chá. Quando eu cheguei na hospedagem a primeira coisa que eles fizeram, foi me oferecer um chá.”

A professora de Inglês Analia Mendonça, 24. Foto: Arquivo Pessoal.

A fotógrafa e professora Larissa Bezerra, 33, viajou sozinha para o Marrocos em 2015 e lá permaneceu por 10 dias. Em suas andanças durante dois anos, conheceu cerca de 22 países em um mochilão , como ela se refere, conta que a comida de lá [do Marrocos] foi uma das melhores que já comeu e tinha a sensação de gosto similar a do Brasil. “Eu não sei dizer se essa oferta de frutas e legumes que eu comi bastante é democrática pra todo mundo. Ou se é uma oferta maior para os turistas”.

Durante mochilão de 2 anos, a fotógrafa conheceu o Marrocos. Larissa Bezerra/Arquivo Pessoal.

A brasileira conta que foi uma viagem muito barata para ela na época e acredita que, para a população marroquina, deveria ser bastante dinheiro. “Essa diferença eu não tenho noção. Mas eu me lembro de ter me alimentado bem e de ter gostado muito da comida, principalmente quando a gente acampou no Deserto do Saara. Eu me lembro que eles fizeram vários pratos muito gostosos, bem típicos de lá e tinha muita verdura e muito legume e muita fruta”.

Experiência de acampamento no Deserto do Saara, no Marrocos. Larissa Bezerra/Arquivo Pessoal.

Turismo ecológico

O marroquino Mostafa Kabir, 36. Foto: Arquivo Pessoal.

Há possibilidades de turismo ecológico. O ecoturismo ou turismo de natureza é um segmento que é feito de forma sustentável, preservando e tendo consciência ambientalista com o patrimônio natural e cultural, conforme definição da Agência Brasileira de Promoção Internacional do Turismo (EMBRATUR). O marroquino e assistente de viagens Mostafa Kabir, 36, destaca que, na realidade do Marrocos, esse tipo de turismo surge nas áreas de montanhas e não na cidade grande.

“Precisa da natureza para que alguns investidores explorem as montanhas e façam hotéis ecológicos. Isso depende muito da água que é mais fácil conseguir dos rios da montanha”, relata. Com relação à alimentação nesse tipo de experiência, ele diz que é usado os vegetais que se comem lá. Em conversa com o Negrê, Kabir diz que na cidade de Marraquexe, por exemplo, tem restaurantes que servem comida a partir da horta da fazenda. Mesmo local onde se foi construído o estabelecimento.

*Fonte: United Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais das Nações

Não deixe de conferir as outras reportagens da primeira série de reportagens do Negrê, o especial África Sustentável!

*Com colaboração de Larissa Carvalho.

Ilustração de capa: Suellem Cosme.

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