Radar Negro

Quatro cineastas negras norte-americanas que você precisa conhecer

Com muito esforço, temos cada vez mais títulos cinematográficos assinados por pretos e pretas, assim como os enredos que contam a história do povo negro. Vemos mais personagens pretos ficcionais ou reais e atores, atrizes, diretores, roteiristas e produtos engajados na luta por representatividade

Se já é tão satisfatório ver mais e mais pretos e pretas na tela do cinema e da televisão, é tão bom quanto conhecer quem está por trás de toda a trama. Na Radar Negro desta terça-feira, 13, o site Negrê lista quatro cineastas pretas que você precisa conhecer.

Ava DuVernay

Ava DuVernay, 48, tem um trabalho extenso no audiovisual, com longas e curtas-metragem, documentários e produtos televisivos. Em 2012, foi a primeira mulher preta a ganhar o Prêmio de Melhor Direção no Festival Sundance de Cinema, com o filme Middle of Nowhere (2012), que conta a história de uma mulher que deixa a faculdade para cuidar do marido preso e se vê em um jornada de autoconhecimento.

DuVernay foi a primeira mulher negra a ser nomeada para o Globo de Ouro com o filme Selma (2014), nas categorias de Melhor Direção e Melhor Filme Dramático. Ela também foi a primeira negra a ser indicada ao Oscar de Melhor Filme. Baseado em uma história real, o longa retrata Martin Luther King (1929-1968) nas Marchas de Selma a Montgomery, onde lutou pelos direitos civis dos negros nos Estados Unidos nos anos 60.

Na TV, a minissérie Olhos que condenam (2019), feita em parceira com a Netflix, recebeu 11 indicações ao Emmy. A história também é baseada em fatos reais e acompanha quatro jovens negros e um latino condenados injustamente pelo assalto, agressão e estupro de uma jovem branca no Central Park, em abril de 1989.

Além dessas obras, o documentário A 13ª Emenda (2016), também disponível na Netflix, foi indicado ao Oscar de Melhor Documentário em Longa-Metragem, em 2017. O filme traz especialistas e discute as questões do encarceramento étnico em massa nos Estados Unidos.

Kasi Lemmons

Diretora, atriz e roteirista, Kasi Lemmons, 59, lançou em 2019 a cinebiografia Harriet, sua maior obra. O filme recebeu indicações ao Oscar nas categorias de Melhor Atriz, com Cynthia Erivo, 33, e de Melhor Canção Original, com a música Stand up (Levante-se).

O longa conta a história de Harriet Tubman, fundamental na história de abolição escravista estadunidense. Nasceu no século XIX, na condição de escravizada, conseguiu fugir, mas não virou as costas aos seus irmãos pretos. Tubman realizou várias incursões de resgate em fazendas, libertando aproximadamente 300 pessoas escravizadas. Também lutou pelo exército da União durante a Guerra Civil (1861-1865), como batedora e espiã, sempre levantando as causas negras. Uma das últimas bandeiras ativistas pela qual lutou foi o voto feminino.

Além do longa indicado ao Oscar, Lemmons desenvolveu, em parceria com a Netflix, alguns episódios de Luke Cage (2016), e a minissérie A Vida e a História de Madame C.J. Walker (2020), que contou com Octavia Spencer, 48, no papel principal. 

O drama histórico Fale Comigo (2007) é baseado no radialista Ralph Petey Green (1931-1984) que, embalado pelas lutas por direitos civis, causas negras e pela música soul, se tornou uma sensação durante a década de 60 nos Estados Unidos.

Nia DaCosta

Primeira mulher preta a dirigir um filme dos Estúdios Marvel, Nia DaCosta, 30, começou a carreira de maneira meteórica, sendo reconhecida pelo talento e profissionalismo. DaCosta foi assistente de produção na TV americana e decidiu mudar de área e se aventurar no cinema. Seu primeiro filme, o curta-metragem Night and Day (2013), abriu portas para que a cineasta lançasse o primeiro longa da carreira, Little Woods (2018), reunindo características de drama, suspense e elementos da narrativa policial.

O sucesso chamou atenção de Jordan Peele, 41, cineasta e um dos maiores ativista da causa negra no cinema norte-americano. Peele convidou Nia DaCosta para dirigir o reboot de A Lenda de Candyman, que será lançado em 2021. O filme é um suspense que mostra a volta de um espírito assassino em um bairro de Chicago (EUA).

O talento de Nia DaCosta ainda a levou a dirigir o segundo filme da franquia Capitã Marvel, que será lançado em julho de 2022 pela Marvel Studios. A diretora fincou os pés em Hollywood e se tornou a primeira preta a produzir um filme da Marvel. Grande como cineasta, gigante na representatividade, Nia DaCosta merece todos os aplausos.

Melina Matsoukas

Melina Matsoukas, 39, deu início a sua carreira como diretora de vídeos musicais, inclusive da cantora norte-americana Beyoncé, 39. Nos últimos anos, a estadunidense tem se consolidado cada vez mais no mercado de cinema preto agora como diretora de cinema. Em 2019, dirigiu seu primeiro longa-metragem, Queen & Slim. E, desde 2016, tem atuado na produção executiva e direção da série Insecure (Insegura), renovada para a quinta temporada. Matsoukas tem se dedicado na construção de narrativas com importantes reflexões para a população negra.

Confira o trailer de Queen & Slim (2019):

Matsoukas já dirigiu as produções musicais Lemonade (2016), B’Day Anthology (2007), para a cantora Beyoncé, e We Found Love (2011), para a cantora e empresária barbadense Rihanna, 32. A diretora já recebeu indicações para o America Award por Melhor direção (2020) no filme Queen & Slim, Melhor Direção de Série Cômica (2017) em Thanksgiving, NAACP Image Award por Melhor Direção em Série de Comédia (2017) em Insecure (2016). Já ganhou os prêmios Grammy Award: Melhor Clipe, Webby Award for Advertising & Media – Video Ad Longform.

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